domingo, 6 de abril de 2014

Vinte e quatro

Entre tantos e todos, hoje eu decidi parar e escrever pra mim. Pros vinte e quatro a pouco completados. Pra quem fui, pra quem nunca serei, e pro infinito hiato entre esses dois tempos. Usar o tecido da web pra despejar um eu que há tempo tento tecer. Um eu transbordante de defeitos e desejos. Organizar uma massa inorganizávelmente densa de letras que levam em si uma fração de mim. Tão pouco. E quantos rodeios pra começar. É que pra mim todo começo é torturante. Típico de gente ansiosa, tipo eu. Em fim, num fim, enfim, um começo.
Preencher os vinte e quatro com tantas responsabilidades, tantos desejos inquietáveis e um coração freneticamente palpitante não tem sido tarefa fácil. Errar uma infinidade de vezes para acertar uma única tem sido pior ainda. Conviver com que eu sou e que, com toda certeza, não gostaria de ser é um desafio diário. Me domar, adestrar, amansar. E que loucura é a vida. Envelhecer. Não saber quem sou, mas ter plena convicção de um eu tão latente. Experimentar a dor de querer desistir, de se ver incapaz, vazia. No instante seguinte reinventar toda uma vida, uma nova trajetória. Conviver com um medo desleal, e tirar do nada uma coragem assustadora. Abafar soluços pela manhã e segurar gargalhadas à noite. Com quantos eus tenho que lidar num único dia? Uma sequência de desistências. 
Um novo começo.
E olhando para esses vinte e quatro, percebo que tudo é uma questão de saber lidar comigo. A parte mais difícil de todos os dias.

A vida. Travessia.


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