segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Eu que beijei

"Diz-que-direi ao senhor o que nem tanto é sabido: sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando; mas, quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."

(Granda Sertão: Veredas)

sábado, 17 de setembro de 2011

O Rio - João Cabral de Melo Neto


(...)

Deixando vou as terras
de minha primeira infância.
Deixando para trás
os nomes que vão mudando.
Terras que eu abandono
porque é de rio estar passando.
Vou com passo de rio,
que é de barco navegando.
Deixando para trás
as fazendas que vão ficando.
Vendo-as, enquanto vou,
parece que estão desfilando.
Vou andando lado a lado
de gente que vai retirando;
vou levando comigo
os rios que vou encontrando.

(...)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

ND

Tudo que tenho
não é meu.
Nada que tenho
tu que me deu.

Ao nada
dou tudo

Pobre de mim
à nada pertenço
tudo conheço
dessa dor sem fim.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O renascer da Puta Estrelada

A Puta, tão bela, seus olhos fechou.
A Puta, tão casta, seu corpo tombou.
Sua face, estrelada, docemente reluziu.
Seu torso, acavalado; suas pernas abriu.




(continua...)