segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"fecho encero reverbero aqui me fino aqui me zero não canto não conto
não quero anoiteço desprimavero me libro enfim neste livro neste voo
me revoo mosca e aranha mina e minério corda acorde psaltério musa
nãomaisnãomais que destempero joguei limpo joguei a sério nesta sêde
me desaltero me descomeço me encero no fim do mundo o livro fina o
fundo a fim o livro a sina não fica traço nem sequela jogo de dama ou
de amarela cabracega jogo da velha o livro acaba o mundo fina o amor
despluma e tremulina a mão se move a mesa vira verdade é o mesmo que
mentira ficção fiação tesoura e lira que a mente toda se ensafira e
madriperla e desatina cantando o pássaro por dentro por onde o canto
dele afina a sua lâmina mais língua enquanto a língua mais lamina
aqui me largo foz e voz ponto sem nó contrapelo onde cantei já não
canto onde é verão faço inverno viagem tornaviagem passand'além
reverbero não conto não canto não quero descadernei meu caderno
livro meu meu livrespelho dizei do livro que escrevo no fim do
livro primeiro e se no fim deste um um outro é já mensageiro do
novo no derradeiro que já no primo se ultima escribescravo tinteiro
monstro gaio velho contador de lériaslendas aqui acabas aqui
desabas aqui abracadabracabas ou abres sésamoteabres e setestrelas
cada uma das setechaves sigilando à tua beira à beira-ti beira-
-nada vocêvoz tutresvariantes tua gaia sabença velhorrevelho contador
de palavras de patranhas parêmias parlendas rebarbas falsário de
rebates finório de remates useiro de vezos e vezeiro de usos
tuteticomigo conosconvosco contingens este quod potest esse et
non esse tudo vai nessa foz do livro nessa voz e nesse vós do livro
que saltimboca e desemboca e pororoca nesse fim de rota de onde não
se volta porque no ir é volta porque no ir revolta a reviagem que
se faz de maragem de aragem de paragem de miragem de pluma de
aniagem de téssil tecelagem monstrogaio boquirroto emborcando o
teu solo mais gárrulo colapsas aqui neste fim-de-livro onde a fala
coalha a mão treme a nave encalha mestre garço velhorrevelho
mastigador de palavras malgastas malagaxas laxas acabas aquiacabas
tresabas sabiscôndito sabedor de nérias com tua gaia sabença teus
rébus e rebojos tuas charadas de sonesgas sonegador de fábulas
contraversor de fadas loquilouco snobishomem arrotador de vantagem
infusor de ciência abstractor de demência mas tua calma está salva
tua alma se lava nesse livro que se alva como a estrela mais d'alva
e enquanto somes ele te consome enquanto o fechas a chave ele se
multiabre enquanto o finas ele translumina essa linguamorta essa
moura torta esse umbilifio que te prega à porta pois o livro é teu
porto velho faustinfausto mabuse da linguagem persecutado por teus
credores mefistofamélicos e assim o fizeste assim o teceste assim
o deste e avrà quasi l'ombra della vera costellazione enquanto a
mente quase-íris se emparadisa neste multilivro e della doppia danza"

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