sexta-feira, 8 de julho de 2011

,é preciso continuar,

Um livro que me adoentou e esteve nos meus pensamentos por algumas semanas. O Inominável, Samuel Beckett.

É preciso dizer, é preciso dizer, é preciso dizer. Sem descanso, sem demora, sem pressa, dizer apenas. Sentir pelas palavras, sentir as próprias palavras, sem descanso até o final. 

É difícil escolher um trecho pra aqui grafar, é difícil porque não é possível dissociar uma parte do todo. Eu teria de publicar todo o livro. Essa coisa, esse sem forma, esse sem nome, esse sem fim. 


No entanto, não consigo deixar de tentar, ao menos, fazer com que sintas a mínima parte desse intenso sufocar.


"(...),eis-me longe, eis-me ausente, é a vez dele, daquele que nem fala nem escuta, que não tem nem corpo nem alma, é outra coisa que ele tem, ele deve ter alguma coisa, ele deve estar em alguma parte, ele é feito de silêncio, eis uma linda análise, ele está no silêncio, é ele que é preciso procurar, ele que é preciso ser, dele que é preciso falar, mas ele não pode falar, então poderei falar, serei ele, serei o silêncio, estarei no silêncio, estaremos reunidos, sua história que é preciso contar, mas ele não tem história, não esteve na história, não é certo, ele está na sua história dele, inimaginável, indizível, não faz mal, é preciso tentar, nas minhas velhas histórias vindas não se sabe de onde, encontrar a sua, ela deve estar lá, deve ter sido a minha, antes de ser a sua, eu a reconhecerei, terminarei por reconhecê-la, a história do silêncio que ele nunca deixou, que eu nunca deveria ter deixado, que eu talvez não reencontre nunca, que talvez reencontre, então será ele, será eu, será o lugar, o silêncio, o fim, o começo, o recomeço, como dizer, são palavras, só tenho isso,(...)"

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