quarta-feira, 30 de junho de 2010

vício

náusea, reckoner, lemon, existência, ser, moon, água viva, vertigem, ganzá e substituição.

C Em D C Em C
Em D C Em C

............................................................................
......... / s /...............................................................C Em D C Em C
.................................................................................Em D C Em C
............................. / s /..............................................
96 horas ............................C Em D C Em C........................... / s /
...........................................Em D C Em C........................................... / s /

C Em D C Em C............................ / s /..............................entorpecer
Em D C Em C.................................................. / s /........................encantar

nihil
.................nada
..........................................nothing
.........................................................................rien
................................................................................................nichts
................................................................................................vazio
.........................................................................oco
..........................................côncavo
................vácuo
cavo

wake up.
esparramar
justaposto

.......................................................Em D C Em C
Em D A/C# C

Em D C Em C .............................................Em D C Em C

.................................................Em D C Em C
........................................................................................................Em D C Em
/ s /
........................ / s /
.................................................... / s /
............................................................................... / s /
.......................................................................................................... / s /


oscular esparramar volver oscular mar gemer
.................................................ósculo
.................................................................espera
..................................................................................esperma

C Em D A E/G# Em/G
.....................,...Am C B7/D#
.....................................C Am B7 E/G# Em/G
.................................................................Am C B7/D#
..................................................................................C Am B7
.....................................................................................C Em D C Em C


essa é minha rapsódia

Em D C Em C
...........................................................................Em D C Em
.........................................C Em D A
...............................................................................E4 Em E4 Em C7M(6)


E4 Em E4 Em C7M(6)

........................................................................................E4 Em E4 Em C7M(6)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

RECKONER


minha eterna vertigem...

terça-feira, 22 de junho de 2010

José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?


E quantos Josés não há? Eu sou um deles, Tallita José a partir de hoje.
Se eu morresse, mas eu não morro, eu sou dura!


Pra mim esse é o poema mais belo da Literatura brasileira, aquele que me espeta como agulha e me arranca uma coisa que eu nunca tive, se é que me entende.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

MonoLogo

Lendo, novamente, A Náusea, decidi compartilhar um monólogo.


“Compro um jornal no caminho. Sensacional! O corpo da pequena Lucienne foi encontrado! Cheiro de tinta, o papel se amarrota entre meus dedos. O ignóbil indivíduo fugiu. A criança foi violada. Encontraram seu corpo com os dedos crispados na lama. Faço uma bola com o jornal; meus dedos estão crispados no jornal; cheiro de tinta; Deus meu, como as coisas hoje existem com intensidade! A pequena Lucienne foi violada. Estrangulada. Seu corpo ainda existe, sua carne pisada. Ela já não existe. Suas mãos. Ela já não existe. As casas. Caminho entre as casas, estou entre as casas, muito teso sobre o calçamento; o calçamento sob meus pés existe, as casas tornam a se fechar sobre mim, como a água se fecha sobre mim sobre o papel em forma de montanha de cisne, eu sou. Sou, existo, penso logo sou; sou porque penso; por que penso? Já não quero pensar, sou porque penso que não quero ser, penso que eu...porque...bah! Fujo, o ignóbil indivíduo fugiu, seu corpo violado. Ela sentiu aquela outra carne que penetrava na sua. Eu...eis que eu... Violada. Um suave desejo sangrento de estupro se apodera de mim por trás, muito suave, por trás das orelhas, as orelhas correm atrás de mim, os cabelos ruivos, eles são ruivos em minha cabeça, uma relva molhada, uma relva ruiva, isso ainda sou eu? E esse jornal ainda sou eu? Segurar o jornal, existência contra existência, as coisas existem encostadas umas nas outras, solto o jornal. A casa brota, ela existe; à minha frente um muro, passo rente a ele, ao longo do longo muro eu existo, em frente ao muro, um passo, o muro existe à minha frente, um, dois, atrás de mim, um dedo que coça sobre minha calça, coça, coça, coça, e puxa o dedo da menina maculada de lama, a lama em meu dedo, que saía do riacho lamacento e torna a cair suavemente, suavemente, amolecia, coçava com menos força que os dedos da menina que foi estrangulada, ignóbil indivíduo, raspavam a lama a terra com menos força, o dedo desliza suavemente, cai de cabeça e acaricia, rolo quente junto a minha coxa; a existência é mole e rola e se sacode, eu me sacudo entre as casas, eu sou, existo, penso, logo me sacudo, sou, a existência é uma queda, não cairá, o dedo raspa a lucarna, a existência é uma imperfeição.”

segunda-feira, 14 de junho de 2010

parei...

parei de pensar sobre o tempo, parei de pensar sobre a vida e principalmente parei de escrever pseudo-arte. parei de sentir o vento e parei de me importar com a literatura ou a filosofia, parei de sentir os objetos gelados na rua, parei de amar o próximo. desejo que todo calor do meu corpo se dissipe completamente e que minha vida pare de me matar e matar o outro. sim, eu estou desistindo; sim, eu estou abrindo mão dos meus credos. não há nada que more em mim que valha alguma pena, não há nada que more fora de mim que valha alguma pena, eu e o universo nos anulamos e não há quem precise de nada. durante muito tempo tentei entender a organização das estrelas sobre a minha cabeça, tentei achar meu caminho pra casa e fiquei sempre à espera de um amanhã que jamais chegará. passei anos me escondendo atrás de poemas ininteligíveis, me escondendo atrás de acordes inaudíveis e frases de efeito, até mesmo em ideologias insensatas. dei importância a quem nem chegou a me enxergar e matei muitos, tantas vezes. feri com ferro quem sempre me protegeu e prestei culto a quem nunca soube meu nome. quero me desprender de tudo: terra, ar, céu, deus e os homens, quero me prender em mim e encarar meu maior medo: a solidão. quero habitar em mim e ser plena de mim e me bastar a mim mesma, preciso testar minhas capacidades. eu estou morrendo. não entendo como as pessoas não enxergam isso se é tão claro, mas mesmo se enxergassem, o que poderiam elas fazer? alguém me ajudaria? naturalmente não. todas essas questões sobre a existência, sobre a essência do homem, essa busca por respostas, essa transcendência do ego, tudo isso ajudou a me enterrar. odeio admitir, mas antes de ser, eu já era isso que sou; essa massa sem forma e sem cheiro, sem gosto. existe uma cratera em mim, algo intampável, impreenchível, de novo inominável. não há nome, não há lugar praquilo que sou e sempre fui assim. não inspiro nada em ninguém, não há quem tenha necessidade de mim e pensar isso me faz ver a necessidade que eu tenho do outro. o mundo é e o homem faz ser, mas eu não sou nem faço ser nada. eu tenho medo. eu me aniquilo ao mesmo tempo que me ponho no centro, eu não me percebo, não sei como sou. preciso parar de pensar pra deixar de existir, tenho que parar de metaforizar e metonimizar cada instante da minha respiração. eu estou perdida em um labirinto que eu mesma construí, e eu sei que jamais alguém me encontrará. parada aqui, a espera daquela que me libertará.

sábado, 12 de junho de 2010

...e o pé.


...simulacro, é a única coisa que eu tenho a te oferecer. uma cópia verossímil da realidade. queria, de fato, poder oferecer-lhe mais, no entanto meu ânimo, minha alma, encontram-se transbordantes de afecção, afetação. causefeito da minha epilepsia.


...três convulsões, três colapsos: esgotamento, falência, morte;

...três coutos, três amparos: ressuscitar, restaurar, restabelecer.


minha percepção tocada, minha sensibilidade brotada da sombra, nascida do outro, ofuscou-me a íris, estragou-me a fleuma e ainda assim quero acreditar que é reversível e temporário. e no centro dessa desordem há uma faísca ardente, embora iconoclasta, de amor, idolatria.


cerne, da ponta para o meio para a pontoutra. verve, imo não me basta, adorno me sufoca. e nesse carrossel de insignificantes essências e insígnias, vaivém de ter-e-não-ter, revés de sabor e insabor, ao invés de desprender-me, atiro-me entre contratempos e contragostos. permaneço des-orientada, des-construída nutrindo ora essência ora ornato.

...minha experiência do presente, a possibilidade de sentir o tempo, de recontar. a recusa da morte matando o outro. queria, de fato, fazer brotar um novo tempo, alvo, ingênuo, mas o miasma que há em mim me impede. peço perdão a ti por ser, seu câncer.















O pior poeta é aquele que escreve pela verve.