terça-feira, 9 de novembro de 2010

O que é o amor?

"Primeiro nasceu Caos" - Hesíodo - Teogonia




Por incrível que pareça, o mundo acadêmico nos ensina coisas interessantíssimas. Baseada nas aulas de Cultura Clássica, eu já escrevi vários post para o Náusea Literária e desta vez não será diferente.

Tentarei explicar racionalmente o que é irracional ou, em outras palavras, tentarei explicar materialmente o que é imaterial, entenda o leitor como quiser.

Comecemos...

A antropologia arcaica tratava a necessidade de completude do homem com base na idéia teogônica da androgeneidade. Segundo a mitologia grega existia um ser perfeito e completo vivendo em felicidade absoluta, este ser carregava em si tanto o masculino quanto o feminino. Os deuses gregos por terem tantas características humanas se incomodaram com existência dessa essência tão perfeita e decidiram, como Platão explica em O Banquete, separar este ser em duas metades. Assim nascem dois seres distintos representados sob forma de homem e de mulher e cada metade foi posta em um canto do mundo.

Isso resulta em uma trajetória da essência absoluta para uma essência nostálgica, pois o estado primordial do ser era a felicidade e completude, agora é a nostalgia e incompletude. Este estado primordial do ser é o que o impele a se unir a uma outra metade na tentativa de reconstruir sua unidade. Esse comportamento é instintivo, espero que me entenda.

Então, é por meio do que chamamos amor que os homens buscam sua totalidade perdida, tentam eliminar de si a carência, a saudade, a vontade do absoluto. Mas como a finitude, a imperfeição são inerentes ao homem – sua miséria e destino – o amor acaba por resultar em uma grande ilusão:

PROMESSA E DESENCANTO.




“1. No princípio, criou Deus os céus e a terra

2. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo (...).”

Gênesis 1. 1-2


“Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita”

Carlos Drummond de Andrade




Fomos originados da desordem, vazio e trevas; essa é a nossa essência primordial.






Um comentário:

  1. Interessante...
    isso explica o porque de tanta gente ficar "jogada as traças" por falta de alguém pra lhe acompanhar na vida.

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