segunda-feira, 14 de junho de 2010

parei...

parei de pensar sobre o tempo, parei de pensar sobre a vida e principalmente parei de escrever pseudo-arte. parei de sentir o vento e parei de me importar com a literatura ou a filosofia, parei de sentir os objetos gelados na rua, parei de amar o próximo. desejo que todo calor do meu corpo se dissipe completamente e que minha vida pare de me matar e matar o outro. sim, eu estou desistindo; sim, eu estou abrindo mão dos meus credos. não há nada que more em mim que valha alguma pena, não há nada que more fora de mim que valha alguma pena, eu e o universo nos anulamos e não há quem precise de nada. durante muito tempo tentei entender a organização das estrelas sobre a minha cabeça, tentei achar meu caminho pra casa e fiquei sempre à espera de um amanhã que jamais chegará. passei anos me escondendo atrás de poemas ininteligíveis, me escondendo atrás de acordes inaudíveis e frases de efeito, até mesmo em ideologias insensatas. dei importância a quem nem chegou a me enxergar e matei muitos, tantas vezes. feri com ferro quem sempre me protegeu e prestei culto a quem nunca soube meu nome. quero me desprender de tudo: terra, ar, céu, deus e os homens, quero me prender em mim e encarar meu maior medo: a solidão. quero habitar em mim e ser plena de mim e me bastar a mim mesma, preciso testar minhas capacidades. eu estou morrendo. não entendo como as pessoas não enxergam isso se é tão claro, mas mesmo se enxergassem, o que poderiam elas fazer? alguém me ajudaria? naturalmente não. todas essas questões sobre a existência, sobre a essência do homem, essa busca por respostas, essa transcendência do ego, tudo isso ajudou a me enterrar. odeio admitir, mas antes de ser, eu já era isso que sou; essa massa sem forma e sem cheiro, sem gosto. existe uma cratera em mim, algo intampável, impreenchível, de novo inominável. não há nome, não há lugar praquilo que sou e sempre fui assim. não inspiro nada em ninguém, não há quem tenha necessidade de mim e pensar isso me faz ver a necessidade que eu tenho do outro. o mundo é e o homem faz ser, mas eu não sou nem faço ser nada. eu tenho medo. eu me aniquilo ao mesmo tempo que me ponho no centro, eu não me percebo, não sei como sou. preciso parar de pensar pra deixar de existir, tenho que parar de metaforizar e metonimizar cada instante da minha respiração. eu estou perdida em um labirinto que eu mesma construí, e eu sei que jamais alguém me encontrará. parada aqui, a espera daquela que me libertará.

3 comentários:

  1. Voce ja pode escrever um livro!!!
    BjOX


    Love you dear friend!

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  2. Eu to tão cansada, to sentindo cada instante da morte, eu to morrendo.

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  3. Uau, quanta negação...

    então agora é deixar o vento levar??
    Pra onde?
    Não se torture oras, sem foco não se alcança nada... respire fundo e continue, ponto final!
    Ah, e se precisar de alguém, eu sei seu nome... rsrs

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