quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Eternidade

De novo me invade.
Quem? - A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

...

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

...

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.
...

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem duzer: enfim.

...

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e Paciência,
Suplício seguro

...

De novo me invade.
Quem? - A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.
...................................................... Maio 1872, Arthur Rimbaud

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