segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Reviravoltas e retrocessos





Eram exatamente três horas da manhã, numa data esquecida por sua mente mortiça.Como um estrondo, acordou.A noite fora repleta de pensamentos tempestuosos sobre a essência da vida. As questões pareciam brotar e os pensamentos esvoaçavam pelo quarto gélido. A escuridão trazia consigo o amargo gosto do fel e a brisa que por ali passava deixava rastros de ambrosia pelo ar. Os lençóis macios ofertavam a sensação de conforto, mas era apenas impressão. Na atmosfera daquele lugar esquecido pelos homens podia-se ouvir à curta distância pequenos sons que aos poucos tomavam conta do lugar. Uma mistura de agonia, tristeza, alegria e liberdade falsa.Tentativas de movimentos delicados, mas nada adiantava. Era tão incomodo sentir-se imóvel, apenas recebendo os estímulos periféricos. Como se tivesse tido a única oportunidade de contemplar o real. Não mais que de repente surgiu à sua frente uma esplendorosa luz branca, trazendo com ela imagens de pequenas coisas esquecidas por todos. Ignoradas por sarem pequenas. No mesmo instante tudo sumiu e apenas o que se ouvia era um irritante tic tac de um relógio velho. Acabou por perceber que o tempo estava indo, determinado a preservar aquela imobilidade.Sua mente padeceu e tudo ficou turvo, seu corpo foi pressionado por uma força estranha. A dor tomava conta e não era mais possível aguentar toda aquela intensidade.Os olhos que antes insistiam em permanecer fechados abriram-se de uma só vez. E o inesperado aconteceu. Seu corpo estava finalmente livre, embora cansado. A visão mudou indubitavelmente. Tudo em volta parecia flutuar.Mas eram quatro horas da manhã. Virou-se para o lado e continuou a dormir.

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