segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Post de boas vindas - Literatura Anacrônica


Flor d’Alma da Conceição Espanca participa, em termos didáticos, da escola Modernista iniciada em 1915. Compõe uma série de poemas que não são apreciados pela crítica e seu reconhecimento como escritora talentosa vem, como de costume entre os que não suprem as necessidades da época, somente depois de morta. Os poemas florbelianos borbulham de melancolia e pessimismo, estes aspectos tão latentes de sua obra quase que nos transportam para o período literário em que o egocentrismo e o sentimento de solidão predominavam a criação literária: o Romantismo. Os românticos preferem a fantasia à realidade, debruçavam-se sobre os fantasmas de seus desejos, negam a vida e anseiam a morte como resolução para seus conflitos, são demasiado egocêntricos e escondem-se dentro de seu próprio mundo construído por ilusões de uma possível vida imaculada, idealizam tanto, que sofrem infinitamente por algo que nunca conseguirão verdadeiramente alcançar. Seus versos têm, inegavelmente, todo o sentimento melancólico que impregnava os textos criados no Romantismo. Embora possamos afirmar que essa visão de mundo está presente da obra da poetisa, não podemos deslocá-la de seu tempo e afirmar que sua criação tem exclusivamente características românticas e que, por regra, ela faz parte, anacronicamente, desta escola... A arte é livre para ser como quiser,tornar-se com quiser, no tempo que quiser, como diria o excelentíssimo Fernando Pessoa 'ser é nada, tornar-se é tudo".


"Eu sou a que no mundo anda perdida
Eu sou a que na vida não tem norte
Sou a irmã do Sonho e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida..."
Florbela Espanca


Um comentário:

  1. Texto culto de mais pra mim, fiquei confuso..=s

    hauahsausauhs

    obs: nunca tinha lido nada dela..=o

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