quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Discurso como paraninfa da 3ª Série EM - CENEL COC

Brasília, 14 de dezembro de 2016.

Formatura do 3º Ano da escola CENEL COC

Boa noite ao corpo diretivo, à coordenação pedagógica, ao corpo docente, familiares, convidados. Boa noite, formandos.

Honra, alegria e lágrimas definem minha recepção a este convite tão especial ao qual buscarei agradecer com este último conselho que marca o fim dessa primeira travessia e que anuncia outra ainda maior.
Também buscarei honrar o convite porque sei que represento não apenas meu nome, mas o nome de colegas queridos com quem compartilho tempo, espaço, preocupações e conselhos bem-vindos.
Começo dizendo que, há dez anos, sonhei com o magistério por pura utopia. A escola sempre foi, para mim, um lugar de descobertas, sonhos e amizades. Sempre gostei de estudar, escrever, ler, descobrir, me maravilhar. O problema é que eu queria fazer com que outras pessoas também descobrissem isso. Também se apaixonassem pelos livros, pelas personagens, pelas ficções por vezes tão reais. Tão familiares. Assim, me formei professora para poder, também, ou acima de tudo, contar histórias e estórias. Construir histórias. A história da travessia de cada um de vocês, formandos.
E, dessa forma, foi que, em agosto de 2011, as nossas travessias se esbarraram. Nós nos conhecemos, crescemos juntos (ok, vocês cresceram e eu apenas envelheci), amadurecemos juntos, choramos juntos, rimos juntos, nos descobrimos juntos.  Nos tornamos não apenas estudantes e professora. Nos tornamos amigos. Amigos que levarei para sempre. Vocês, os meus primeiros alunos.
O meu desejo para vocês nessa noite é que saiam daqui e se redescubram. Se reinventem. Não tenham medo do fracasso. Da dúvida. Do novo. Do desconhecido. Se lancem. Naveguem. Busquem descobrir quem vocês realmente são e o que vocês realmente querem. Experienciem. Construam um caminho sólido, cheio de verdade, alegria e, principalmente, coragem.  Para qualquer pessoa a capacidade de se recriar e se redescobrir é fundamental. É dever, é devir, é livrar-se. Abram mão das verdades absolutas, certezas sólidas, valores rígidos. Levantem e deem lugar a resiliência. A mudança que bate a porta de cada um de vocês deverá ser recebida de peito aberto e cabeça erguida. Aquilo que vocês serão e terão será responsabilidade unicamente de vocês. Se adaptem, mas NUNCA se acomodem.
Desejo que sejam homens e mulheres de caráter e palavra. Não abaixem as cabeças. Não aceitem o que é imposto. Questionem. Resistam. Ocupem. Os lugares que são seus por direito. Não aceitem menos do que merecem, NUNCA.
Torço para que a atuação em qualquer campo profissional que escolham seja, ainda, com atenção ao coletivo. Não esqueçam de olhar o outro. De cuidar do outro. De ajudar o outro. Porque, afinal, quem somos nós senão o reflexo de outro alguém? Empatia é essencial.
Como diria Guimarães Rosa, “despedir dá febre”. E é com febre e saudade que me despeço de vocês, alunos. E saúdo vocês, futuros engenheiros, professores, escritores, desenhistas, analistas, psicólogos, biólogos, juristas, médicos, policiais, esportistas, músicos, atores, dançarinos, pesquisadores.  
Obrigada por me fazerem acreditar em dias melhores, em pessoas melhores. Obrigada por confiarem em mim. Obrigada por me acolherem durante seis anos.
Muito obrigada.
Contem comigo sempre e para sempre.


Profª Tallita Fernandes.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

vinte e seis

tempo de lidar com as frustrações e me organizar. voltar aqui pra escrever sobre isso e marcar zero.

sábado, 4 de abril de 2015

domingo, 6 de abril de 2014

Vinte e quatro

Entre tantos e todos, hoje eu decidi parar e escrever pra mim. Pros vinte e quatro a pouco completados. Pra quem fui, pra quem nunca serei, e pro infinito hiato entre esses dois tempos. Usar o tecido da web pra despejar um eu que há tempo tento tecer. Um eu transbordante de defeitos e desejos. Organizar uma massa inorganizávelmente densa de letras que levam em si uma fração de mim. Tão pouco. E quantos rodeios pra começar. É que pra mim todo começo é torturante. Típico de gente ansiosa, tipo eu. Em fim, num fim, enfim, um começo.
Preencher os vinte e quatro com tantas responsabilidades, tantos desejos inquietáveis e um coração freneticamente palpitante não tem sido tarefa fácil. Errar uma infinidade de vezes para acertar uma única tem sido pior ainda. Conviver com que eu sou e que, com toda certeza, não gostaria de ser é um desafio diário. Me domar, adestrar, amansar. E que loucura é a vida. Envelhecer. Não saber quem sou, mas ter plena convicção de um eu tão latente. Experimentar a dor de querer desistir, de se ver incapaz, vazia. No instante seguinte reinventar toda uma vida, uma nova trajetória. Conviver com um medo desleal, e tirar do nada uma coragem assustadora. Abafar soluços pela manhã e segurar gargalhadas à noite. Com quantos eus tenho que lidar num único dia? Uma sequência de desistências. 
Um novo começo.
E olhando para esses vinte e quatro, percebo que tudo é uma questão de saber lidar comigo. A parte mais difícil de todos os dias.

A vida. Travessia.


sábado, 2 de março de 2013

contranarciso


em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós


Paulo Leminski


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

De Berenice


Quando cabe...

A desgraça é variada. O infortúnio da terra é multiforme. Estendendo-se pelo vasto horizonte, como o arco-íris, suas cores são como as dele, variadas, distintas e, contudo, intimamente misturadas. Estendendo-se pelo vasto horizonte como o arco-íris! Como é que, da beleza, derivei eu um exemplo de feiura? Da aliança da paz, um símile de tristeza? Mas é que, assim como na ética, o mal é uma consequência do bem, da alegria nasce, na realidade, a tristeza. Ou a lembrança da felicidade passada é a angústia de hoje, ou as agonias que existem agora têm sua origem nos êxtases que podiam ter existido.

Edgar Allan Poe


domingo, 20 de janeiro de 2013

deslocar de onda

A questão fundamental é saber onde está o seu coração.


sábado, 19 de janeiro de 2013

Sobre Deus e outros pequenos desvarios

Parece-me mais fácil ter fé em Deus, não obstante ser algo tão para além da nossa limitadíssima compreensão, do que na infeliz humanidade. Durante muitos anos, afirmei-me crente por pura preguiça. Ser-me-ia difícil explicar a Odete, e a todos os outros, a minha descrença. Também não acreditava nos homens, mas isso as pessoas aceitam com facilidade. Compreendi ao longo dos últimos anos que, para acreditar em Deus é forçoso confiar na humanidade.
Não existe Deus sem humanidade.

Continuo a não acreditar, nem em Deus, nem na humanidade. Desde que Fantasma morreu cultuo o espírito d'Ele. Converso com Ele. Julgo que me escuta. Acredito nisso não por um esforço da imaginação, muito menos da inteligência, mas por empenho de uma outra faculdade, a que podemos chamar desrazão.

Converso comigo mesma?

Pode ser. Como, aliás, os santos, aqueles que se vangloriavam de conversar com Deus. Eu sou menos arrogante. Converso comigo, julgando conversar com a alma doce de um cão. Em todo caso são conversas que me fazem bem. 






AGUALUSA, José Eduardo.  Teoria Geral do Esquecimento




Ao trecho que me arrancou lágrias de compreensão. Tudo é sempre um tentar achar-se. A si. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

gracefully

a caminho do infinito...

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

a volta - ezra pound


a volta

ah, ei-los que retornam; repara os hesitantes
         movimentos, os vagarosos pés,
         pertubação nos passos, inseguras
         oscilações!

ah, ei-los que retornam, um por um,
         temerosos, como se maldespertos;
         como se indecisa a neve
         murmurasse no vento e quase
         emendasse o caminho;
Eram estes
           'alados-de-Horror'
           invioláveis.

deuses de alparca alada!
com eles os mastins de prata,
         farejando o rastro de ar!

isca! isca!
          eram estes os célebres na pista;
os de faro afiado; estes
eram almas de sangue.

vagarosos no ajoujo,
          ajoujadores pálidos!


(tradução de Mário Faustino)